terça-feira, 2 de julho de 2013

02/07/2013

São 10:06h. Esperando Ramsés. Ansiosa para saber o que vou sentir no seu abraço.
Está muito nublado. Preocupada com esse pouso.
Na Conde da Boa Vista não passa nenhum ônibus.
Patrícia disse que vai fazer macarronada com camarão pra gente. Saudade de mãe é revertida em comida, às vezes eu acho isso.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

01/07/2013

Futebol é política: Brasil 3 x 0 Espanha. 

Tive sonhos estranhos essa noite. Acordei várias vezes.
No último havia um mago, uma espécie de ilusionista. Cenários das terras de lá: o corredor da casa de vó e o sítio. Personagem de Mercadorias e Futuro. João Pedra Maior. Olívia era a minha filha. Amor. Tudo passa depressa.

Você chega amanhã. Daqui a 23h, para ser mais precisa.
Sampa. 

"Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho

E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade

Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"

Preciso me reconhecer num novo espelho. E queria que esse espelho fosse você. De novo.
Pra isso, precisamos transformar em cacos estes antigos reflexos. Rasgar cartas. Mudar de cor. Trocar o azul. Submergir. Vitórias-régias sobre a água, vindas como estrelas do céu.

Não pergunta nada. Me desculpa?
Quero um laço forte. Um nó. Vamos comprar aqueles anéis? 


domingo, 30 de junho de 2013

30/06/2013

Final da Copa das Confederações. Ainda estou com sono.
Você some. 
Não deixa eu ir embora. Não deixa. Aquela carta...


12:51h. A tim é cheia de fronteiras.
Dessa vez não resisti e procurei na internet
. São Marçal: o santo que livra a humanidade do fogo.
Quem livra da água? Viraria devota. 

Dois dias e algumas horas. Hoje não quero escrever. 

29/06/2013

Sábado.

Esse samba é pra você, ó meu amor. Pra você sorrir.

O que será que Nando Cordel tocou?
Geraldo. No começo foi ele. Arsenal da nossa história.

2:09h. Cazumba. Vou vestida nela para ser um novo personagem. Fantasia. Fantasiada. Pensei em alguma coisa parecida com as roupas dos caboclos de lança.

13h. Almoçamos macarrão com sardinha e molho de tomate. Aposto que o seu almoço foi melhor e tinha um nome que não conheço. Estou sem créditos.

14:21h. Na estrada. São José do Ribamar, pertinho de São Luís. 

18h. Itália x Uruguai. Brasil x Espanha. Ramsés perdeu todas.

Dia curto, noite longa. Olhos cerrados. Saudades.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

28/07/2013

6:47h. Acordo. Não sei em que dia estou. Meus olhos estão pesados. Dói. Encontro um bilhete de Priscilla em cima da mesa: ela tentou me acordar e não conseguiu. É sexta. Mensagens e ligações que não ouvi. Será que você encontrou alguma coisa legal pra fazer? Espero que sim. Está tudo suspenso.

10:32h. Marquei a aula de francês. Sábado às 12h. Esperando uma ligação. Agora só tenho cinco cigarros.

11:08h. Te acordei: sua voz, meu silêncio. Você me conta de bois, maracatus e sons novos - graves como eu gosto. Diz que comeu sorvete de bacuri - pra mim isso é peixe - e que parece com graviola. Isso sem falar dos instrumentos. Os nomes no Maranhão são esquisitos... 
Não esquece: te pego no aeroporto. Destino: Vladivostok. Abaixo o ponto eletrônico!
Aqui tá abafado e nublado. Quente.
Olhei as fotos, estão lindas. Gosto de ver o mundo pelos seus olhos. Marcela é a minha preferida. Pés entrelaçados. Água de coco gelada. Pôr-do-sol.

17h. Finalmente uma comida que conheço: pudim. Se não tiver ameixa, aceito.
Filhos? Eu os teria. Contigo. E mais do que qualquer coisa tentaria. Indo e vindo, durante séculos fazendo amor. 

17:30h. Aos Vivos Agora. Tudo o que toca, toca um pouco você. "esse homem nu sou eu, olhos de contemplação". Deusa Urbana. Caicó Arcaico. Não me arrependo. À Primeira Vista.

20:50h. Pousos e (muitas) quedas de avião. Yan me trouxe receitas de Déa. Vamos testar todas?

21h. Estou na casa de Rodolfo. Tem uma luz verde no corredor e outra sobre a mesa que muda de cor. Quero uma.

22h. Outro nome estranho: cacuria.

Horas turvas. Remédios roxos e um laranja. Vinho. Eu me dissolvo.

27/06/2013

Organizo as colagens no dia 28.
8h30. Acordo, junto as minhas coisas e venho para casa. Não me despeço. Lenta. Letárgica. Choro de vazio enquanto caminho. Penso como deve ter sido a sua noite. Alguma coisa acontece dentro de mim. 

12h. Chega uma mensagem: Duas horas de show. Elba e Lenine? Ansiosa para entender as semelhanças encontradas.
Espero que você sobreviva ao calor dessas terras equatoriais. Aproveita a chuva e toma um banho, daqueles de lavar a alma.

15h. Rivotril, 0.5mg. Na cabeça uma velha companheira. Tenho medo.

16h. Priscilla chega.

17h. Passeando de carro. Conhecendo o teatro. Catedral. Demônios aperreados. Ciúmes.
pra.ça: sf 1. Lugar público e espaçoso. 2. Conjunto das casas comerciais e bancárias de uma cidade.
a.mo.res: (ô) sm pl 1. Namoro. 2. O objeto amado.
Praça dos Amores. Imaginei banquinhos de madeira e muitas flores. Balanços coloridos e árvores antigas. Alguma estátua no meio.
Quis estar deitada contigo também.

18h. Lembro de ter dormido escutando Caetano. Desde que o samba é samba é assim.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

26/06/2013

Junto as colagens no dia 27.
O sonho ainda permanece.
Dia de Maioba: nem sei o que é e estou fazendo questão de não procurar na internet, só pra você me ensinar. Deve ter sido bonito os sons todos, as cores. Principalmente as cores. 

14:57h. Aqui foi aquele peixe. Estava gostoso, mas tinha pimenta - tão bonitinha e vermelha, parecia um biquinho. Mordi inteira pensando que era de cheiro. Ardeu. Levei vinho para acompanhar e Pri não tinha abridor. Nem o vizinho. Força pra empurrar a rolha e bagunça.

16h. As conversas foram quentes como a comida. Jogo do Brasil: o mais difícil de todos até agora e a gente distante. Esse jogo, sua língua e o seu corpo. Vontade. Desejo. Saudade que deu pra sentir daí. Acabou. 2x1.

Manifestações na rua. Talita conversou com uma amiga que estava lá. Afobada, 
contou sobre balas de borracha e repreensão. Incendiaram coisas, a rua estava perigosa. Da janela deu pra ver carros de polícia, bombeiros, gente gritando, estouros. Um caos. Fiquei com medo de voltar para casa.

20h. Dividimos meio doce em três. Suave. A lua nascendo laranja, imensa - lembrei de Olívia: "Bença, mamãe lua!". A chuva chegando de levinho. Lá do alto quis morar na Aurora. Quis morar contigo na Aurora. O apartamento tem o tamanho quase perfeito e piso de madeira. Décimo quinto andar. Voar.

2h da manhã. Rivotril, 1.5mg. Tudo muito turvo. Meus excessos de ser.

terça-feira, 25 de junho de 2013

25/06/2013

É um diário. Na verdade, é mais uma colagem dos pensamentos fluidos que encharcam a cabeça e quase me afogam. Fragmentos. Percepções. 

Malas. Aeroporto. Saudade colorida por fitas de cetim. Lembro do quanto conversamos sobre os encantos da ilha, do tempo planejando, dos seus olhos ansiosos. 

Tive um sonho essa noite. Foi aqui e você não estava. As paredes repletas de recortes: imagens, pedaços de jornais, palavras soltas. Havia muita gente pelos cômodos, gente feliz. Nossos amigos. Cotidiano. Mas eu estava perdida e só queria acordar. Lembro de ter perguntado muitas vezes: isso não é um sonho?, enquanto fazia coisas absurdas para provar que sim. Quis me jogar da janela. Nada. A estranha ali era eu. 

Falta de ar. Libertação. Peguei o celular: 9h da manhã. Desejei que tudo tivesse corrido bem na sua viagem e voltei a dormir.

Está escurecendo cedo, são 17:40h. Chove. As duas lâmpadas da sala continuam queimadas, lembrei agora que preciso comprar outras. Você me disse que comeu cuchá - nome mais engraçado! - e que tinha pimenta. Imaginei a sua cara e a sua risada de pimenta. Dei risada. Falou também que eu devia aprender a culinária daí. Concordo.


Faz um silêncio grande e seu violão tá lá no quarto. Queria barulho.
O sonho me perturba. Nítido. Vivo.

20:18h. Felicidade bonita! Chapéu para proteger as ideias. Espero que você esteja usando o filtro solar, sol envelhece.

23h. re.vi.ver: vi 1. Tornar a viver; voltar à vida, ressuscitar. 2. Renascer, renovar-se. 3. Readquirir energia. 4. Aparecer de novo. vtd 5. Trazer à lembrança.
Pensei em ruas de paralelepípedos e mesas de madeira nas calçadas. Cerveja gelada: um brinde à renascença.

Oração pela leveza. Se a serpente acordar, flutue.

Termino o dia nas atividades de francês:
J'aime habiter dans vous. Au revoir!